01/09/2015

I Conferência da Cultura Alimentar de Curitiba

Tradição e Tendência: Múltiplas Identidades à Mesa do Curitibano

A Cultura Alimentar expressa a identidade de povos e grupos sociais ao longo do tempo. Está intimamente ligada à história, ao ambiente e às exigências específicas impostas ao grupo social pelo dia-a-dia.

Cada sociedade estabelece um conjunto de códigos alimentares, que tem nas suas práticas a consolidação de suas tradições e inovações. Esse conjunto de práticas pode ser considerado patrimônio cultural de uma comunidade. Através delas, um grupo social se reconhece e se fortalece, materializando suas identidades tanto em aspectos simbólicos quanto materiais.

No Brasil matizado pela colonização, a Cultura Alimentar está fortemente relacionada às culturas indígena, africana e portuguesa. Em outro momento, a presença da imigração de famílias de origem italiana, alemã, espanhola, polonesa, ucraniana, japonesa, árabe, entre outras, introduziu outros hábitos na nossa alimentação. Os movimentos migratórios e as trocas culturais continuam a introduzir novas características aos hábitos alimentares dos povos.

Com a urbanização do país a partir dos últimos 50 anos, outros hábitos alimentares passaram a tomar espaço, associados, principalmente, à praticidade da alimentação e a racionalização econômica. Nesse contexto emergiram as indústrias, os serviços de alimentação e o agronegócio, afastando as pessoas da origem e produção dos alimentos. Além disso, com a facilidade dos sistemas de comunicação, as trocas de informação e oportunidades de negócio vindas de todas as partes do mundo criaram corpo e proporcionaram o intercâmbio de culturas alimentares entre diversos países. Não raro, hoje se importam culturas mesmo sem que haja colonização, o que por vezes pode ser negativo, sobretudo quando associadas a processos de estandardização e subtração de práticas tradicionais.

No curso das transformações dos hábitos alimentares, devem ser considerados também os fatores econômicos e sociais, bem como a utilização dos instrumentos de comunicação de massa.

Conforme debatido da Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, “os povos são livres para decidirem o que será produzido, como será a produção e o que consumirão, sempre respeitando a cultura alimentar.” (CNSAN, 2004).

Nesse sentido, torna-se necessário debater sobre as múltiplas identidades que compõem a mesa curitibana, para que tenhamos consciência das nossas reais necessidades, resgatando e valorizando a dimensão simbólica do ato de alimentar-se.


Para tal, está sendo organizada a I Conferência da Cultura Alimentar de Curitiba, para debater o tema “Tradição e Tendência: Múltiplas Identidades à Mesa do Curitibano”.