16/07/2015

STUART - BAR MAIS ANTIGO DO PARANÁ


Aberto desde 1904, o Stuart é comandado há 61 anos pelo italiano Dino Chiumento, de 75, que chegou ao Brasil em 1949 e se considera satisfeito pela vida passada atrás do balcão. O bar nem sempre ficou no mesmo local, tendo passado por duas sedes até que se fixasse na esquina da Praça Osório com a Alameda Cabral em 1954, já sob administração de Dino.
O italiano começou a trabalhar no Stuart aos 14 anos, e quando surgiu a oportunidade de adquirir o estabelecimento, em 1975, não hesitou. "O último dono que teve ficou doente e disse que iria vender. Ele virou para mim e para o cunhado dele e disse: ‘Se vocês não comprarem vou vender para outro’. Aí nós compramos”, contou.
Desde então, o bar passou por poucas mudanças, muito por conta do apreço dos clientes pelas tradições do lugar. Dino lembra que até tentou empreender uma mudança das mesas de madeira por outras de fórmica branca em 1977, mas o protesto dos fiéis frequentadores foi veemente. “De tanto a freguesia reclamar, trouxe tudo de volta, tudo antigo. Eles falavam que parecia lanchonete de hospital. Tudo branco”, disse.
Além de Leminski, que tinha mesa cativa na entrada do bar, outros artistas, jornalistas e políticos de renome passaram (e ainda passam) pelas mesas do Stuart. Esse, segundo Dino, é um dos motivos pelo qual o bar sobreviveu por tanto tempo, sempre atraindo grande público. Em uma cidade onde as figuras políticas não se renovam com facilidade, é normal que nas mesas do Stuart fossem tratados assuntos referentes ao tema, seja em forma de discussões, planejamentos, uniões, e até mesmo alguns encontros inesperados.
Dino lembra que era comum que em determinada época os ex-governadores Jaime Lerner e Roberto Requião, clientes assíduos e adversários políticos, evitassem se encontrar. “Eu via que vinham os seguranças do Lerner, olhavam, e dali a pouco vinha ele. Se o Requião estivesse aqui ele não vinha”, lembrou.
Um dos chamarizes do Stuart, e segundo Dino o prato mais vendido do bar, são os testículos de touro. A ideia foi de um fazendeiro do interior do estado, que levou 10 kg da exótica carne para os clientes experimentarem. “Nós não contamos o que era e o pessoal adorou, quando vieram perguntar só que nós contamos”, lembra o italiano, que admite nunca ter provado a receita, servida à milanesa, ao molho, e ao alho e óleo.
Em 2008 Dino resolveu vender grande parte dos seus direitos sobre o bar. Ele fez questão de manter uma pequena porcentagem, que o motiva a permanecer atrás do balcão, mas tira o peso acumulado dos anos de trabalho. “Foi uma vida aqui dentro, não tem como largar de repente assim, a gente sente”, afirmou.