29/01/2014

Álcool eleva chance de câncer de pele em 20%

 Durante o verão, é frequente ver grupos de pessoas bebendo cerveja na praia. A moda deste ano acrescentou o vinho ao ritual, e a bebida virou um dos maiores coadjuvantes do pôr do Sol nas areias cariocas. O costume que parece inofensivo - quando acompanhado de água - pode levar ao melanoma, câncer de pele mais letal. Apenas um copo de cerveja ou uma taça de vinho por dia é suficiente para aumentar o risco da incidência da doença em 20%, alerta estudo europeu.
A pesquisa, feita pelo Instituto Karolinska, na Suécia, a Universidade de Monza, na Itália, e o Instituto de Pesquisa Farmacológica de Milão, também na Itália, sugere que, além de intensificar queimaduras, o álcool aumenta a sensibilidade da pele à luz, gerando moléculas que danificam as células e provocam câncer.
“Nós sabemos que, na presença de radiação ultravioleta, o consumo de álcool pode alterar a capacidade do corpo de produzir uma resposta imune normal”, escreveu Eva Negri, uma das autoras do estudo, publicado na revista “British Journal of Dematology“.
Quando o consumo de bebida alcoólica ultrapassa quatro copos por dia, o risco de incidência de melanoma sobre para 55%. Os pesquisadores acreditam que o acetaldeído, um dos produtos metabólicos do etanol, pode agir como um “fotossensibilizador”. A pele mais vulnerável gera moléculas chamadas de “espécies reativas ao oxigênio”, que danificam as células de uma forma que pode levar ao melanoma.
“Este estudo teve como objetivo quantificar o aumento do grau de risco de melanoma com a ingestão de álcool, e esperamos que, com este conhecimento, as pessoas possam se proteger melhor do Sol”, afirmou Eva.
Os pesquisadores também alertaram que beber pode prejudicar o julgamento e fazer com que as pessoas passem mais tempo ao Sol ou esqueçam de passar protetor solar.
Fator de risco mundial
Embora não seja o câncer epitelial mais frequente no Brasil - representa penas 4% dos tipos de tumor de pele, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) -, o melanoma é considerado o mais grave por ter alta possibilidade de metástase. Em 2010, 1.507 brasileiros morreram em decorrência da doença, sendo 842 homens e 665 mulheres.
O estudo é mais um a evidenciar a ligação das bebidas alcoólicas com a incidência de tumores. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3,6% de todos os cânceres no mundo - 5,2% em homens e 1,7% em mulheres - são atribuíveis ao consumo de álcool.
- Nós temos que acordar para o fato de que o consumo exagerado de álcool é ruim para a saúde de quase todas as maneiras imagináveis - disse Emily Robinson, vice-presidente da Alcohol Concern, instituição inglesa que ajuda pessoas com problemas relacionados com o álcool, ao “Telegraph”. - Esta pesquisa acrescenta mais um problema de saúde aos mais de 60 que já sabíamos ter ligação com a bebida, e é mais uma prova de que a nossa relação com o álcool precisa mudar.